Karen Novochadlo
Tubarão
É impossível impedir catástrofes, mas é possível minimizar os impactos. Esta constatação foi um dos temas abordados no seminário Enchente de 1974, ontem, em Tubarão. Diversas autoridades municipais e estaduais ministraram palestras sobre Defesa Civil, o rio Tubarão e a prevenção, na sede da Amurel.
O município está propício, segundo a Defesa Civil, a inundações, deslizamentos e alagamentos. Grande parte dos problemas está relacionada ao assoreamento do rio Tubarão, à rede de drenagem ineficiente, ao aumento população e, consequentemente, à habitação de locais de risco.
“Os locais que oferecem menos riscos de Tubarão já estão habitados. Logo, as pessoas estão indo para áreas mais baixas e morros”, alerta o coordenador da Defesa Civil, José Luiz Tancredo. Isto ficou visível este ano com o número de deslizamentos que ocorreram em algumas áreas de Tubarão e atingiram casas.
Existem pontos na cidade que, com uma chuva de 60 mm, ficam alagados, por conta das dificuldades de vazão da água. Quanto ao rio, não é descartada uma nova enchente. “Se ocorrer um alto índice pluviométrico na serra, o represamento na foz, em Laguna (por causa da maré alta), com todos estes fatores unidos, pode causar enchente”, alerta o coordenador do Núcleo de Pesquisas em Desastres Naturais (NuPed) da Unisul, Ismael de Medeiros.
O climatologista Rafael Marques apresentou dados que mostraram que, entre 20 de janeiro e o dia 9 do último mês, o rio subiu três vezes de 4 a 4,5 metros. A situação não foi agravada devido à vazão do rio. Acima de sete metros, o rio transborda.
Soluções para o Rio Tubarão
A erosão da margem, as estradas de chão batido sem contenção e deslizamentos têm contribuído para o assoreamento do Rio Tubarão. Em 2009, a calha já estava 40% assoreada entre a ponte Cavalcanti e a foz, em Laguna.
As margens do rio sofrem com a falta de vegetação ou excesso de árvores não nativas. Um exemplo é a beira rio próximo à ponte do Manoel Alves do Santos (Morrotes). Este ano, parte da calçada foi abaixo. Isto é devido a um processo que ocorre há alguns anos. No ano passado, uma árvore grande caiu e levou parte da vegetação nativa. Outro ponto problemático é próximo à ponte Dilney Chaves Cabral (no Centro).
Uma sugestão do climatologista Rafael Marques é monitorar o rio Tubarão com a instalação de 11 estações hidrometeorológicas ao longo da bacia. Isto teria um custo de R$ 500 mil iniciais, e posteriormente de R$ 120 mil de manutenção anual. Uma outra proposta seria de instalar uma régua no rio em cada um destes pontos. O monitoramento pode ser realizado pela Polícia Militar.
Em Tubarão, existe o projeto de redragagem do rio. Por enquanto, o projeto, avaliado em R$ 80 milhões, está parado. O município busca verbas para a realização nas esferas federais e estaduais. A prefeitura de Tubarão aguarda que o Ministério de Integração abra inscrições para projetos. A obra envolve mais de um município, por isso não pode ser tratada pelo Ministério das Cidades. Na esfera estadual, já foram realizadas reuniões com as secretarias regionais de Tubarão, Braço do Norte e Laguna.
Planejar é necessário para evitar tragédias
Ainda não há data para implantação de um plano de contingência do município de Tubarão estar em pleno funcionamento. Ele será a base de várias ações de prevenção e ação da Defesa Civil no município. Neste ano, serão implantados dez núcleos em vários locais do município. Mas, para isto, deve ser encerrado o mapeamento das áreas de risco, que teve de ser interrompido por causa das chuvas de janeiro.

